Terça-feira, 6 de Novembro de 2007

O Feitiço contra o Feiticeiro

"Foi Feitiço", lá dizia André Sardet. Eu cá digo que é bruxedo!
Se há 3 anos estávamos entregues a um (des)Governo encabeçado por Pedro Santana Lopes que enfrentava uma oposição patrocinada por José Sócrates, hoje não estamos melhor.
Vira o disco e toca o mesmo. Hoje mesmo, os "marretas" [nome de baptismo dado por um técnico da RTP] reencontram-se no Parlamento, mas em posições inversas, o que permite adivinhar que o país vai igual, ou muito pior.
Do ponto de vista da capacidade para levar avante um programa de governo para o país, creio que estamos melhor, senão venha o diabo e escolha. Mas a inércia criada por uma sucessão de más opções políticas tomadas pelos portugueses nos últimos anos (só justificadas pela total ausência de melhores alternativas reais) leva-me a constatar que Portugal desperdiçou mais 3 anos e insiste em errar pelo caminho que tomou há já mais de 800.

Não obstante do sonho e das promessas, o desemprego aumenta, quer seja no sector público, quer no privado. As listas de espera para a obtenção de cuidados de Saúde engrossa a olhos vistos. A Justiça revela-se, cada vez mais, um instrumento não do (de um) Estado (de direito) mas de um poder instalado capaz de subverter os mais elementares e flagrantes direitos dos cidadãos. A Educação passou a ser um vocábulo agora usado para significar uma realidade que outrora existiu.
O Respeito, a Honra, o Brio ou a Solidariedade são coisas dos sonhos e, num país em que só não vale tirar olhos (?), pertencem à Utopia. Para quem ainda se lembrar da Exposição Internacional de Lisboa (1998), havia lá um pavilhão com esse nome. Creio que nos era dedicado.

Portugal é assim. É um país de grandes manchetes nos jornais, de grandes pontes, de grandes centrais fotovoltaicas, de grandes desportistas, de grande (bom ou mau) mediatismo por essa Europa e por esse mundo fora. Há 500 anos já assim era. Um país de proeminentes navegadores, conquistador de territórios imensos e com um ego do tamanho (de metade) do mundo. E no entanto...

Sou português. Gostava de o ser, mas com letra maiúscula; com orgulho e brio.
Não precisamos de ser os maiores. Em absolutamente nada.
Só precisamos de adequar o nosso ego à sua essência e dimensão. De sermos trabalhadores (produtivos), inovadores, audazes e descomplexados, honestos, justos e capazes. Só...

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